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O Pokéforum deseja a todos os membros um Feliz Ano novo!
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Bloody Roar
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| 02-12-2007 18:05 | Bloody Roar |
Post: #1
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Posts: 15
Joined: 30 Nov 2007 |
Bloody Roar
Prólogo Há muito tempo atrás, quando a Terra ainda estava para ser formada, dois imperadores poderosos, Eviloth, o deus das trevas e Horoh, o deus da luz, travavam uma difícil batalha, para escolher o Dominante do Universo. Depois de muito sangue jorrado nas poucas estrelas que ainda restaram em conseqüência do confronto, Horoh venceu a luta, mas perdeu todas suas forças, ficando fraco, e morrendo logo depois. Porém, antes de seu extermínio total, foi sábio o bastante e dividiu seu poder em trinta partes, aprisionando-o em trinta animais diferentes, tornando a coloração desses seres dourada. Talvez isso tenha ocorrido para ser um diferencial dos outros animais ou por qualquer outro motivo. Aquele que comesse o coração daqueles animais especiais herdaria seus poderes, cada um focalizado em algum aspecto de seu falecido mestre. Esses animais então viveram milhões de anos vagando pelo orbe, reconstituindo as estrelas de todo universo que haviam morrido ao longo dos anos e finalmente procurando um lugar para morar. E esse lugar foi a Terra. Agora, os humanos terão que conviver com essas formas de vida sagradas, aprender a usá-las de modo adequado, lidar com as intempéries da natureza e livrar o planeta de uma futura destruição maligna, porque Eviloth morreu, mas sua fúria ficou. Capítulo I – Sonho As estrelas brilhavam no céu naquela linda noite de lua cheia. Seu brilho refugiava na cidade, transmitindo certa nostalgia aos seus habitantes. Os prédios altos de sempre, enfileirados e amontoados nas ruas estreitas, mostravam que ela não era um lugar com poucas pessoas. E era em cima de um desses prédios que sussurros eram ouvidos pelos habitantes do mais alto andar, que ficavam incomodadas e estarrecidas. - Milady Jenny, tudo pronto para o assalto de amanhã, certo? – sussurrou um dentre vintes homens de aparência estranha. - Claro que sim – sussurrou em resposta com um tom autoritário, demonstrando ser a líder da gangue – Eu nunca deixarei meu plano de lado enquanto estiver viva. Além disso, os vampiros devem destruir seus inimigos. E é isso que vamos fazer, caro Morgan. - Perfeitamente, Milady, perfeitamente – concordou o vampiro chamado Morgan – O plano será um sucesso se depender de mim. A líder vampira Jenny, que até então olhava para baixo, imersa em seus pensamentos, virou sua cabeça rapidamente para Morgan que a espiava, com uma expressão feroz e furiosa. Finalmente ela pôde ser vista perfeitamente. Possuía olhos vermelho-sangue, aparentemente muito vivos, da cor de sua jaqueta de cobre fino. Faiscavam como fogo e deixavam seus cabelos louros e curtos desbotados, apesar de muito belos. Definitivamente, era uma mulher muito sensual, e usava de sua beleza para conquistar o que queria. Ela crispou o lábio, exageradamente borrado de batom e pronunciou altamente: - Tem que dar certo, Morgan! Ou você e os outros morcegos daqui sofrerão as conseqüências da minha fúria! Ou o Coração do Lobo chega até mim, ou vou fazer vocês latirem de dor feito cães de rua! Ninguém ousou abrir a boca de primeiro momento. Ficaram todos calados por longos segundos, até que Morgan tomou coragem e perguntou. - Milady Jenny – chamou ele receoso de levar uma bronca – E o Coração de Canguru? - Vem de brinde – respondeu-lhe com meiguice – Espere, ouçam! Um baque surdo de alguém esbarrando em um móvel com força alarmou os ouvidos aguçados de Jenny, a vampira sexy. Ela, com uma rapidez invejável, formou asas gigantes – cada uma deveria ter dois metros de comprimento – e fez uma metamorfose rápida. Pulou do prédio logo em seguida e parou no último andar do lado de fora. De lá, viu pela janela uma senhora muito idosa correndo o mais rápido que suas pantufas poderiam alcançar. Jenny apressou-se, cortou o vidro da janela com um raspão de suas asas e avançou na velhinha, que estava assustada demais com o que acontecia e tropeçou. - Velha idiota! Espiãs merecem morrer, sabia? – sussurrou Jenny, ao pé do ouvido da outra. A expressão de Jenny era de ao mesmo tempo fúria e triunfo. Sabia o que aconteceria com a velha, por isso triunfava, seu olhar cortando o pouco ar que a velha conseguia respirar. Mas mesmo assim, a raiva que ela estava poderia ser evitada se a mulher não fosse tão intrometida e fofoqueira. E agora, infelizmente, ia pagar o preço. - NÃÃO! POR FAVOR, MOÇA! – berrou a velha, tinha uma voz doce e meiga – Eu não fiz por mal, eu juro que ... Ela foi interrompida, porque algo lhe tinha atravessado o corpo. Era a pata enorme de Jenny, que havia lhe acertado bem na altura do coração. Suas patas eram muito fortes, digno de um golpe fatal como acontecido há pouco. Sem piedade alguma, Jenny girou sua perna dentro do corpo da mulher inerte, e jorrou sangue por todo o lugar, manchando paredes e quadros, carpetes e o piso. Girou até o corpo da mulher virar apenas tripas. Jenny lambeu o sangue que corria pelo seu rosto. - Hahahaha! Ninguém vai ficar no meu caminho! O Coração do Lobo e do Canguru vão sofrer as conseqüências da minha sede por poder! E qualquer outro que se atrever a comer um Coração Sagrado morrerá! Aclamado seu ultimato, Jenny voejou como um relâmpago para fora do apartamento e foi consagrar a noite, porque o amanhã seria memorável. O ruim foi para o resto de sua gangue, pois tiveram que alcançá-la e acompanhar seu ritmo. - Odeio quando ela faz isso! – comentou um vampiro da gangue, baixinho, para ninguém lhe escutar. *** - Amanhã será inesquecível, Kako! – um jovem muito alegre brindava com seu cão, algo parecido como refrigerante em um cálice de vinho – Amanhã vou ver de pertinho os fabulosos Corações Sagrados! O Canguru e o Lobo! Ele bailava com o cão de raça Beagle como se estivesse valsando com o amor de sua vida. O cachorro que permanecia irritado e com fome e que não tirava o olho de seu pote de ração, estava prestes a mordê-lo em poucos minutos se seu dono não o soltasse. Tinha inteligência o suficiente para achar tudo aquilo muito constrangedor. - Porque você não foi virar um Lobo Sagrado? Ah não importa, porque eu vou ver um amanhã! Hahaha! Thravor Karson era um jovem de quase dezoito anos que estudava em Hosure Projects, uma faculdade na qual ele batalhava para pagar com seu emprego, um reles entregador de pizza. Morava apenas com seu cachorro chamado Kako, porque seus pais moravam atualmente em outro continente, por sua irmã ser uma talentosa atriz e viver lá. Como sua irmã nunca havia gostado dele, deixou-o naquela miserável cidade chamada Mitology, que era um lugar misterioso, sem nenhuma pena, e só convidou seus pais para o novo continente. Ele tinha uma vida muito difícil e precária. Mas Thravor não era apenas odiado por sua família, mas também por seus colegas de classe. Ele era o certinho da turma, feio e nerd, usava óculos, se dava bem em todas as matérias e era querido por todos os professores e diretores. Não tinha amigos, porque era vítima de acusações de todos, de ser gay principalmente. Permanecia isolado. O seu pior inimigo mesmo era Axel, o valentão “bombado” que contava ter anos de academia, que fazia as piores coisas imagináveis para zoar com seu “querido amigo”. Com medo de Axel, o restante da faculdade se apressava a seguir seu exemplo ou enfrentariam as conseqüências de seu grupinho intimidador. Apesar disso, Thravor sempre manteve uma alegria cativante, apesar de ser sempre desprezado, ele ignorava e, mesmo sem amigos, era feliz. - Amanhã será o grande dia! Amanhã será o grande dia! – e ele jogou seu cachorro para o alto, o bastante para o mesmo se enfurecer e morder o seu nariz. - AAI! Cachorro feio! – exclamou Thravor, que punha o dedo no nariz para ver se saía sangue. – Se estiver sangrando eu te deixo de castigo! Após se olhar no espelho por aproximadamente duas horas, para ter certeza que seu ferimento não iria sangrar, Thravor o tapou com um enorme esparadrapo, deixando sua aparência o mais ridícula possível. - É para não infeccionar! – disse ao cachorro, que o espiava com um enorme interesse. Parecia achar aquilo tudo muito engraçado. – Boa noite Kako! Thravor foi para a sua cama, guardou seus óculos com cuidado, apagou as luzes e caiu em um sono profundo logo depois. *** “ - Você nunca será mais forte que eu, Horoh! – exclamou um ser gigante, que usava uma armadura negra rudimentar. - Fale menos e lute mais, Grande Senhor das Trevas, Eviloth! Mate-me! Vamos! Coragem! - Cala a boca! Eviloth estendeu a mão para Horoh e concentrou uma enorme esfera de energia em seus dedos. Depois disso, a esfera negra tomou forma e transformou-se em um cajado afiado e era quase tão alto quanto o próprio Eviloth. O deus das trevas proferiu termos em uma língua excêntrica e complicada, e logo depois seu cajado estava pegando fogo. Eram chamas infernais. Sem mais nenhuma palavra, ele apanhou o bastão em chamas e se esforçando demais, a ponto de usar todas as suas forças, lançou-o contra o impacto de Horoh. Era muito pesado e eficaz a um ataque direto. - Não vai me derrotar! NÃO! ” - NÃO! – gritou Thravor Thravor abriu os olhos. Cada centímetro do seu corpo estava coberto de suor gelado; sua roupa de cama se enrolara nele como uma camisa-de-força; tinha a sensação de que um ferro em brasa estava marcando seu coração. Kako estava parado junto dele, parecia extremamente assustado e latia desvairadamente. A dor no coração o cegava. Thravor se levantou da cama e vomitou no meio do caminho para o banheiro. Seu esparadrapo ainda permanecia em seu nariz, mas quase estava saindo devido ao suor. Sua cabeça doía fortemente. Não conseguia entender o que tinha acontecido. Tinha esquecido tudo. Lembrava de um cajado, de fogo e um brado. Ele se acalmou, bebeu um pouco de água. Estava aturdido. Deitou na cama, e ignorou o cheiro que inalava de vômito no chão. Ficou com medo de dormir de novo, sentir aquela sensação angustiante outra vez. Thravor não resistiu e fechou os olhos cansados, suas pálpebras pediam isso. Ele fungou dormindo, costume de sempre, e teve outros sonhos, mas nada igual ao que tinha acabado de lhe ocorrer. *** Thravor acordou normalmente, como se nada tivesse acontecido. Sua mente estava limpa e não confusa como há minutos atrás. Olhou para o chão e viu que o vômito ainda estava lá, e com relutância o limpou. Já era tarde e o horário de almoço havia passado fazia muito tempo. Dali algumas horas estaria no museu, deslumbrando os maiores artefatos históricos e os dois Corações Sagrados que tanto almejava ver. Ele fez de tudo para não pensar naquilo novamente durante o dia inteiro. O tempo passou rápido, e chegou à escola pouco antes do ônibus da excursão partir para o grande museu. Como sempre, Thravor se isolou dos demais que discutiam alegremente sobre o enorme esparadrapo no seu nariz. Ele ignorou e pensou nos objetos que dali a pouco iria ver. O ônibus parou em frente do museu poucos minutos depois. Era um lugar alto sustentado por pilastras grandes e grossas de mármore, antigas, mas bem cuidadas. Por fora, o museu era bege escuro e seus detalhes realçavam ao pôr-do-sol. Ninguém estava tão ansioso quanto Thravor. Pelo contrário, estavam tão entediados quanto o vendedor de pipoca murcha da esquina. O garoto foi o primeiro a entrar. Mas mal sabia ele que havia mais gente do que os visitantes e empregados do lugar no museu. - Ao fim do Pôr-do-Sol, nós entramos! – disse uma voz feminina familiar. - ISSOOO! – concordaram muitas pessoas em coro. Thravor olhou para cima, horrorizado. Jurava que tinha ouvido vozes do teto aclamando algo. Mas para sua infelicidade, Axel e alguém ao seu lado, uma menina linda de cabelos castanhos repicados e um tanto cacheados, bem cuidados, apareceram na sua frente gozando de sua cara assustada. - Hoje você morre, Thravor Karson! – rosnou Axel secamente. Ele sentiu medo e olhou para a menina. Ouviu seu estômago afundar. Era a menina que ele amava, mas que nunca deu bola para ele. Estaria namorando Axel? Isso seria o fim para ele. Mas ela não parecia muito feliz. - Pronto para receber sua vitamina de punho, Karson? Thravor engoliu em seco, e com o maior desgosto de deixar sua amada ali sozinha e infeliz, virou as costas e deixou Axel falando sozinho. - Não me ignore seu viado! Axel avançou feito um lobo raivoso sedento por sangue para cima de Thravor, pelas costas. Apontou seu punho para o pescoço do adolescente e concentrou toda a sua força no golpe. Fim do Capítulo Um. --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Espero que tenham gostado. Comentem! o/ |
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| 02-12-2007 22:43 | RE: Bloody Roar |
Post: #2
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BaD_BoY Wrote:Bloody Roar ta bom man continua nem muito curto nem muito longo continua para ver onde isto vai dar |
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| 03-12-2007 15:53 | RE: Bloody Roar |
Post: #3
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Posts: 15
Joined: 30 Nov 2007 |
Bloody Roar
No último capítulo, conhecemos um pouco sobre a vida solitária de Thravor Karson, um garoto de quase dezoito anos que vive isolado da sociedade por inúmeros motivos. Seu sonho estaria prestes a ser realizado no museu da cidade, que era ver de perto um Coração Sagrado, aquele que quem o comesse ganhava poderes secretos. Mas por ironia do destino, a sua morte poderia estar próxima, porque Axel, o valentão da universidade Hosure Projects, estaria furioso com Thravor a ponto de matá-lo com um golpe fatal. O que acontecerá com os Corações, a vida de Thravor e os vampiros, que também prometiam estar presentes na briga para conseguir os Corações? Leiam a seguir. Capítulo II – Vampiros A raiva de Axel era imensa, seus músculos pulsavam mostrando a brutal força que o mesmo tinha e o golpe que ele estava planejando atingir no pescoço do outro seria fatalmente trágico. Com certeza fatiaria sua garganta por completo e logicamente iria matá-lo. Ele tinha perdido totalmente o bom senso. Apesar de que cada passo que ele dava era uma pista de onde seu inimigo estava, Thravor continuava seu caminho, posicionando seus óculos no lugar e deslumbrando-se com as maravilhas que tanto cobiçava ver no museu. Parecia tranqüilo e com certeza não tinha percebido que estava prestes a ser atacado ferozmente, mesmo pelo eco contínuo que Axel dava a cada instante. Foi quando a garota que ele tanto amava gritou desesperadamente com voz de choro: - Cuidado Thravor! Era uma voz melodiosa e doce que o garoto apreciava muito ouvir. Mas agora estava assustada e esganiçada, o que fez com que ele levasse um susto e olhasse para trás. Viu que a mão inimiga estava a centímetros de distância de sua garganta e com um movimento que ele mesmo não soube explicar como fez, abaixou-se quase instantaneamente na hora do golpe e chutou o joelho de Axel. Porém esse não parou o golpe, e o garoto levou um soco na testa, no mesmo lugar do esparadrapo. Thravor arquejou. O outro não achou o chute forte, mas ficou com raiva pelo contra-ataque. - Vai pagar seu filho da mãe! - Sai daqui, excesso de músculos! Xô! - Não faça isso Axel! - Parem com isso! – trovejou uma voz às costas dos dois. Os dois olharam para trás e viram, juntos, o diretor de Hosure Projects, Dorgans Parrow e o famoso dono do museu, Farder Connan, ambos encarando-os. Possuíam um ar de censura e estavam bravos, porém o último estava mais irritado. Se não fosse pela exclusividade de apenas a Hosure Projects estar presente no lugar, os negócios dele iriam por água abaixo depois de muitas manchetes no jornal sobre a briga daqueles dois jovens. - Eu acho melhor pararem já com isso ou eu chamo a polícia! – disse com meiguice. Tinha uma voz grossa e autoritária. – Viemos aqui compartilhar o nosso conhecimento e não compartilhar socos e briga! Apesar de estar exaltado e com raiva, falava com calma e sutileza. Axel cuspiu no chão como forma de protesto e Farder o encarou. Dorgans estava achando tudo aquilo um absurdo e estava visivelmente corado. Thravor achou uma falta de respeito com o dono do museu tudo aquilo que seu colega estava fazendo, mas sabia que naquela hora deveria ficar calado. - Acho que já podemos começar nossa excursão, não é mesmo? – ele fez uma leve mesura irônica a Axel e então prosseguiu – Bem Vindos ao Museu de Mitology, estudantes de Hosure Projects! Meu nome é Farder Connan, o dono do museu, e serei o instrutor de vocês esta noite. Queiram seguir-me, por favor, para começar a apreciar as mais diversas relíquias que nosso museu oferece! Thravor invejou a forma como o dono do museu lidou com tudo aquilo. Parecia ser experiente com esse tipo de coisa. Obedeceu-o e o seguiu, junto dos demais alunos. O colega e a garota vieram logo atrás. À medida que o tempo passou rapidamente e que quase todas as preciosidades tinham sido mostradas, a noite já tinha chegado e com ela um tempo e uma brisa gélidos, típicos de filmes de terror. Farder Connan já não estava, por algum motivo que Thravor não conseguiu descobrir, alegre e disposto. Ele estava, o garoto percebeu, ansioso e perturbado. Diversas vezes ele o via suar frio e consultar seu relógio dourado e muito fino. Então, o tão esperado momento chegou, e todos foram encaminhados por seu instrutor a um enorme salão localizado a leste do museu. Em seu centro, um balcão negro e alto estava posto, e nele havia algo coberto por um pano de veludo roxo bruxuleante, que se destacava às poucas luzes de vela acesas do local. “Deve ser para conservar os Corações melhor” pensou Thravor consigo mesmo. Farder, ao conseguir um silêncio absoluto, desativou todas as medidas de segurança que protegiam o balcão, e se aproximou do mesmo. Retirou o pano de veludo e dele pôde se destacar duas grandes caixas de cristal. Dentro delas, uma massa de cor marrom do tamanho de um rato sem vida permanecia sob as expectativas de todos os alunos. Ambos tinham legenda, e um era legendado como Canguru e o outro Lobo. Thravor, fascinado, quase chorou de conseguir realizar seu objetivo. Finalmente via com seus próprios olhos miúdos as relíquias que tanto queria ver. Uma dor no peito que ele já conhecia começou a perturbá-lo e deixá-lo sem fôlego por alguns instantes, mas logo cessou. - Esses são os lendários Corações Sagrados! – apresentou Farder, mais nervoso que nunca – Ninguém sabe suas origens, mas aparentemente são muitos. Nosso museu trás com exclusividade dois deles. Farder fechou os olhos num repente e ninguém entendeu tal reação. E por uma fração de segundo depois, os vidros do teto solar do museu estavam sendo espatifados e os gritos foram abafados pelos inúmeros cacos que mergulhavam no solo sobre as cabeças dos alunos. Thravor não viu muita coisa a não ser pessoas correndo apavoradas e gritando esganiçadas tanto quanto ele. Correu o mais rápido que pôde até chegar a uma parte que viu que não era atingida pelos cacos. Afobado, bateu com a cabeça na parede e soltou um palavrão. Quase chorando, ele se pôs de cócoras e viu os outros correrem desesperadamente enquanto apalpava a parte que tinha sido atingida pela parede para verificar se saía sangue. A coisa que Thravor mais detestava e temia era sangue. Era seu ponto fraco. Após recuperar totalmente sua visão em conseqüência do baque, ele procurou a fonte da confusão. Muitos vultos escuros e acinzentados desciam do buraco no teto, e ele não conseguiu distinguir o que aquilo seria. Os cacos ainda caíam no chão fazendo tinidos irritantes. Os gritos já tinham sido reduzidos. Finalmente, um ser desconhecido pousou no solo, e Thravor viu sua cara. Era uma mulher. Uma mulher muito atraente. Essa característica certamente não conseguia expressar toda a exuberância que ela possuía, seja em seu corpo totalmente modelado ou no jeito calmo e ao mesmo tempo ansioso como ela parecia se portar em tal situação. Usava uma blusa vermelho sangue, da mesma cor de seus lábios cintilantes, exagerados de batom. Trajava também uma mini-saia, exibindo suas saudosas coxas muito brancas e lisas. Seu olhar demoníaco cortava o ar e deixava todos os estudantes amedrontados. - Olá alunos de Hosure Projects. Meu nome é Jenny e sou a líder de uma gangue de vampiros experientes que fazem tudo o que eu mandar. – ela deu uma pausa e observou as carinhas infelizes de todos - Aposto que vocês não são vampiros, mas vão ter que me obedecer também. Gemidos de medo esganiçados ecoaram pelo lugar. Thravor era um dos alunos que gemiam, tremia como qualquer outro. Não entendia como ela sabia que eles eram de Hosure Projects e isso o deixou amedrontado. A única coisa que ele podia pensar agora era se afastar dali o mais rápido possível, pois estava bem à vista da mulher e dos outros vampiros que, aos poucos, se posicionavam em fileiras atrás dela. Ele foi se arrastando para o lado, indiscernivelmente, até chegar a um ponto seguro, enquanto Jenny encarava os alunos do outro lado da sala circular. - Como devem perceber – continuou ela após um breve período, e começou a caminhar pelo salão, ainda estudando os demais assustados - Eu comi um Coração Sagrado, secretos artefatos valiosos que fazem as pessoas ganharem poderes ao ingeri-los. Pois bem, no caso foi o Coração do Morcego Sagrado que comi e ganhei poderes de um Morcego. Mas recebi a notícia que esses mesmos artefatos não estavam sendo guardados com sigilo neste museu... Engatinhando o mais depressa possível, Thravor chegou a um lugar que ficava afora da vista de Jenny, mas para seu desespero, já havia pessoas lá. E essas pessoas eram as que Thravor menos queria encontrar na vida. - O que você está fazendo aqui? Sai sai sai! – pestanejou Axel abraçado a sua namorada, que tremia intensamente. - Eu fico quietinho! – resmungou ele sentando perto dos dois. - Não, sai logo se não ela vai nos descobrir! – sussurrou Axel quase alterando a voz e perdendo a paciência. - Por favor! – implorou ele ficando de joelhos. Enquanto isso, ela continuava seu discurso. -... E, portanto vim destruí-los com minhas próprias mãos, antes quem alguém os coma e me dê problemas. Vocês vão ficar quietinhos aí enquanto eu extermino essas duas coisinhas pegajosas. Ela se dirigiu aos dois Corações Sagrados. - Não Karson! Saia daqui! – Axel começou a chutar Thravor, que lutava com rebeldia. - Por favor! Eu deixo você me chamar de gay por quantos anos você quiser! Eu faço todas as suas lições de casa! Por favor! POR FAVOR! O seu último apelo poderia ter sido sua última palavra. Jenny virou, imponente para Thravor, que sem ele mesmo perceber estava em pé quase chorando. Ninguém, pela primeira vez, ligou para o mico que ele estava pagando. Mas sim o castigo que ia pagar. E, provavelmente, esse seria com a própria vida. - Quem ousa me desobedecer? – vociferou impetuosa. Viu que ele permanecia calado e voou em seu pescoço, derrubando-o com força, o que fez o garoto cair em cima de Axel. Jenny o pegou logo após pela gola de sua camisa, abriu asas que até recente momento estavam ocultas, e voejou para cima como um tornado, até chegar à parte mais alta do museu. - Vai ser aqui que todos vão ver sua morte, caro aluno rebelde. – sussurrou na orelha de Thravor, que permanecia congelado. Porém, nesse momento, dois disparos acertaram o antebraço esquerdo da vampira, que uivou de dor e soltou sua presa quase imediatamente. Thravor pensou desesperado que iria morrer na queda, fechou os olhos, e esperou a morte chegar. Mas ao ficar próximo ao chão, alguém o segurou fortemente, evitando o baque contra o solo. O garoto viu que era um policial. Ele o soltou e foi dar ordens aos demais policiais que chegavam. Parecia o líder deles. - Vamos matar esses vampiros hoje, pessoal! Prometo que muito sangue vai rolar! Um uivo de aprovação dos policiais ecoou pelas paredes opacas do museu e, logo após, balas de metralhadoras e pistolas cruzaram o salão tentando atingir os vampiros que lutavam para fugir. Thravor não ousou se mexer, e aos poucos viu que os sons dos tiros iam diminuindo, e os corpos dos policiais e dos vampiros iam enfileirando-se no chão, próximo a ele. Ele espiou e viu que restavam poucos policiais, mas ainda tinham muitos vampiros. Até que ele escuta um som de vidro se rachando e se quebrando em mil pedaços. Ele espreitou, e não acreditou o que estava vendo. Automaticamente se levantou. Axel estava no centro do salão, em cima do balcão onde os Corações Sagrados permaneciam. Tinha acabado de quebrar o vidro protetor de um deles e dali a alguns instantes estava comendo um com ferocidade. Seu olhar estava malicioso e ele observava todos que estavam no lugar, que, por extensão o observava também. Depois de algum tempo, ele berrou altamente e uma luz azul clara se originou de seu interior e se expandiu por todo o salão. - NÃO! – uivou Jenny, que ainda parecia estar lá em cima. – Maldito moleque! Arruinou meu plano! NÃO! Thravor viu que Axel ia tomando forma a cada segundo que se passava e a luz ia se expandindo cada vez mais. Isso tudo só cessou quando um uivo quebrou o clima de tensão. Mas não era um uivo comum. Era um uivo de um lobo faminto e sedento por sangue. Axel havia comido o Coração do Lobo Sagrado. Ele agora tinha muitos pêlos no corpo, azuis escuros, uma cara branca e longa, típica de um lobisomem mesmo. Ficara maior e logicamente mais forte também. Uma metamorfose completa havia acontecido. Olhou para cima e zombou da cara incrédula da vampira. - O que foi Jenny? Fiz algo de errado? - Desgraçado! – gritou ela voejando ao seu encontro. Ela chutou a cara de Axel causando um baque surdo, mas o mesmo revidou usando suas garras afiadas para fatiar a barriga da mulher. Jenny se transformou em uma vampira mais complexa logo depois. Como acontecera com o outro, ficou com os seios à mostra e sua pele branca em detalhes negros realçavam sua beleza. Ela pulou e chutou a barriga dele com dois golpes muito bem calculados. Só não conseguiu um terceiro porque ele pegou o pé dela, jogando-a longe. Correu para a vítima que ainda caía desfalecida e mordeu sua coxa esquerda, fincando seus dentes naquela região. Ela girou as pernas e se livrou do golpe, mas perdeu sangue com a tentativa. Eles se encararam por longos minutos. - Luta muito bem, devo admitir – grasniu Jenny. - Já não posso falar o mesmo de você! – ele cuspiu no chão arrogantemente. Axel limpou o rosto ensangüentado com o punho e partiu para o ataque novamente. Os dois lutavam invejavelmente, um desviando do golpe do outro, tornando a batalha muito difícil. O lobisomem correu sobre quatro pernas sagazes e atingiu a morcega na barriga, mas a mesma o pegou com as garras e perfurou suas costas. Ele gritou de agonia e foi jogado no chão, quase derrotado. Perdeu uma considerável quantia de sangue e sabia que tinha fraturado suas costelas. - Porque faz isso? Qual é o seu objetivo? - Quer mesmo saber, Lobo? - Meu nome é Axel. – corrigiu-a - Sim, quero saber. - Pois bem, Axel. Acho que infelizmente não vou poder falar, mas falo se pedir com carinho. Jenny se divertiu e deu uma gostosa gargalhada da cara do tolo lobo. Adorava fazer passar os outros de idiota. - Desgraçada! – rosnou ele. Ele revidou com um golpe muito forte na cara da vampira. Mas ela recuou e levantou vôo, não dando ao lobisomem um gostinho de vingança. Ela usou sua velocidade incomparável e desapareceu da visão do lobo, que latia furiosamente. - Volte aqui sua covarde! Jenny reapareceu logo depois, mas estava com a namorada dele, fazendo pressão contra a sua cabeça, apertando o crânio com uma força brutal. - Solte Kaya, sua miserável! – urrou Axel. - Se renda e ajoelhe-se suplicando perdão e eu a solto. Pagarás por ter ferido a mim com sua própria vida, lobisomem! Ele hesitou, mas se rendeu, pela primeira vez em sua vida. Porém, para sua sorte, ninguém pôde vê-lo, já que outro flash de luz se expandiu pelo lugar. - Quem foi que comeu agora? – berrou a vampira indignada – MALDIÇÃO! A luz cessou novamente e dela apareceu um canguru de óculos. Thravor Karson havia comido o Coração Sagrado do Canguru também, e sem ninguém saber da onde o mesmo tirou coragem, avançou em Jenny e deu um soco na vampira. Seu soco agora era muito forte. Mas mesmo assim, Thravor ainda não tinha deixado suas características de lado, e suas pernas, agora enormes, estavam bambas. Tremiam bastante. Ela soltou Kaya, que saiu correndo e chorando para um canto escuro do lugar sem nem dar uma palavra a Axel ou Thravor, que a tinha salvado. - Kaya! – berrou o lobo – Volte aqui! Ela não respondeu. Jenny continuava irritada e estava a ponto de dar um chilique. Seus planos tinham falhado totalmente, e agora estava arruinada. Teria que ser pelo jeito mais difícil. - Não estou preparada mentalmente para uma luta agora, eu e meus vampirinhos vamos nos retirar, não temos mais nada a fazer. Só juro que um dia vocês vão pagar com suas vidas pelo o que me fizeram passar. Ela fez uma breve mesura e levantou vôo, junto de seus capangas que tinham se comportado muito estranhamente durante a batalha de sua líder. Nenhum deles ajudou-a na luta por nenhum segundo. Logo, ela não estava mais à vista de todos do museu e todo o terror tinha passado. Thravor voltou a ser humano e se ajoelhou, cansado. Não estava entendendo nada. Não lembrava o que tinha dado nele para ter feito tal ousadia. Começou a chorar sem saber o porquê. Sua cabeça doía fortemente também. E o mesmo acontecia com Axel, que suava como nunca. Estava sujo de sangue em diversas partes do corpo. Parecia que a transformação de ambos tinha mexido com seus psicológicos. Tinha lhes tirado muita energia. Farder Connan se aproximou dos dois. Sua expressão estava sombria e inexplicável. Sorria levemente, um sorriso irônico e fantasmagórico, mas ainda assim estava abalado e perturbado. Thravor olhou para ele com desespero, como se pedisse piedade e estivesse prestes a ser morto. O outro ignorou o velho e apenas olhava em volta à procura de Kaya. - Bem... – começou Farder dali a algum tempo – Obrigado por terem salvado o meu Museu. Isso tudo está sendo muito embaraçoso para mim, não sei o que posso lhes dizer. Vocês salvaram nossas vidas desses vampiros, mas também roubaram as coisas mais valiosas daqui. Ele estava com a voz fraca e confundível. Thravor sentia certa culpa, mesmo que não fosse ele quem causara tudo aquilo. Sentia não apenas por causa dos Corações Sagrados, mas também devido ao fato dos vampiros terem estado no museu. - Peço-lhes que se retirem, vão logo embora. A polícia não vai deixar vocês impune. Thravor levantou, e sem dar nenhuma palavra, caminhou vagarosamente até o Portão Principal, abrindo-o com força e desaparecendo logo depois, na noite fria e densa que se apresentava lá fora. Ele ignorou os rugidos de Axel que vinham de dentro, chamando por Kaya sem se importar de ser ouvido. Estava confuso demais para pensar em qualquer coisa naquele momento, e concluiu consigo mesmo que precisava de uma cama macia e quente agora mesmo. *** Os vultos de Jenny e os outros vampiros estavam camuflados na noite que se estendia naquele momento. Eles voavam sem pressa, pois sabiam que os humanos não iriam descobri-los. Todos os lacaios cochichavam sobre a humilhante derrota da mulher, menos Morgan, que olhava para a mestra em tom de censura por não fazer nada aos reles servos que tanto falavam dela. Eles finalmente pousaram e encontraram-se diante de um porto fechado e abandonado à esquerda por um molhe de pedra e à direita por um promontório no qual, entre arbustos e árvores em flor, um prédio grande, com colunas de pedra, larga escadaria e balcões ornamentados, estava iluminado por um holofote, que aparentava ser o único ponto de luz por ali. No porto, um ou dois botes a remo estavam ancorados e para além do molhe o brilho da lua cheia refletia-se no mar parado. Lugar perfeito para vampiros, pois era bem escuro e ninguém ia descobri-los devido à calmaria e o pouco movimento que ali possuía. Ela observou o mar e tomou a forma humana novamente. Estava silenciosa, e os outros vampiros sabiam que aquilo era um mau sinal para seus inimigos. Morgan se aproximou de sua líder. - Milady Jenny, me desculpe interromper – sussurrou – Mas porque você deixou que eles vencessem a batalha? Sei que vossa excelência era capaz de derrotá-los com um golpe só. - Eu tenho os meus motivos – disse ela calmamente. - Mas mesmo assim, você deixou-se passar por uma iniciante fraca e... - Já basta, Morgan. Vá procurar o que fazer e diga a esse bando de morcegos inúteis que façam o mesmo. Deixem-me sozinha. - Sim senhora, com sua licença me retiro, Milady Jenny. Ele fez uma mesura exagerada e ordenou aos outros vampiros o que sua mestra havia lhe recomendado. Todos concordaram em se alimentar de sangue humano; levantaram vôo e desapareceram na noite. Mas Morgan ficou ali espiando a beleza de Jenny que tanto ansiava ter, sonhando que um dia poderia deixar de ser um vil súdito de sua gangue, mas ser seu amor. Ele a amava. Fim do capítulo Dois. ------------------------------------------ comentem por favor |
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| 15-12-2007 18:52 | RE: Bloody Roar |
Post: #4
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BaD_BoY Wrote:Bloody Roar esta bom BAD mods bloqueem isto o autor foi banido.. |
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| 15-12-2007 23:41 | RE: Bloody Roar |
Post: #5
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Joined: 30 Sep 2007 |
sh4ny Wrote:esta bom BAD mods bloqueem isto o autor foi banido.. Esta bom ? O Socio já foi banido xD E já foi á algum tempo . E isto estava uma seca para já -__-" ![]() Signature & Avatar By PokeBoy |
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